Produtor recupera vegetação degradada com plantação de frutas

Era para ser um hobby. Químico de formação, com uma carreira na indústria plástica e pós- graduação, o paulistano Douglas Bello achou que era hora de se dedicar a algo de que gostasse. “Sempre adorei natureza e passei a pesquisar onde investir. Foi quando descobri que praticamente todas as reservas de preservação ambiental eram intocadas e improdutivas”, conta.

Decidido a testar um modelo diferente, em 1998 ele adquiriu um sítio de 10 hectares em Paraibuna, a 130 quilômetros de São Paulo, e arregaçou as mangas – a terra, coberta de capim braquiária, exibia cansaço e não parecia promissora. “Toda a região foi próspera no primeiro ciclo do café. Depois, tentou-se outras culturas, como arroz, milho e amendoim, mas tudo virou pasto com baixa densidade de gado. Boa parte da vizinhança ainda é assim,” diz Bello.

Recuperar a vegetação original do sítio virou obsessão, mas Bello não queria administrar um parque ecológico – sua intenção era tocar uma propriedade autossustentável, que rendesse um dinheiro no fim do mês. A solução veio através das frutas nativas da Mata Atlântica, que brotariam sem dificuldade e poderiam ser cultivadas de forma orgânica, entre árvores. Antes de plantar as primeiras 4 mil mudas, porém, Bello encomendou uma análise do solo e descobriu que todos os índices eram próximos de zero. “Fiz correção com muito calcário e, hoje, temos pH em torno de 6”, revela. Ele também não esperava a grande incidência de pragas que veio a seguir (na terra cansada, onde as chuvas tropicais são fartas de setembro a maio, foi grande a infestação de ferrugem, formigas-cortadeiras, brocas e