A vez da Avicultura

Potencial da atividade comercial só aumenta no estado do Pará que já ocupa o 11º lugar no ranking nacional de frango de corte com um faturamento de mais de R$ 1 bilhão.

Qualidade, sanidade e preço, esses são alguns dos fatores que tem contribuído para o aperfeiçoamento e a produtividade da avicultura no país. A busca por modernização e o emprego de instrumentos como o manejo adequado do aviário, sanidade, alimentação balanceada e melhoramento genético e produção integrada colaboraram e muito para os avanços do setor nos últimos anos. A parceria entre a indústria e os avicultores que contribuiu para a excelência técnica em todas as etapas da cadeia produtiva, também foi outro ponto primordial já que essa ação resultou na diminuição dos custos de transação e consequentemente num produto melhor.

Cobb 500

No Pará, dos 144 municípios do estado, a avicultura comercial está presente em 28. Santa Isabel e Santarém são os principais polos de produção e juntas, as duas cidades apresentam o maior plantel de frango de corte da região Norte. Em 2015 eram 1,66 milhão de aves contra 1,5 milhão em 2014, segundo dados da Associação Paraense de Avicultura (APAV). O processamento da produção é efetuado em quatro abatedouros (dois em Santa Isabel, um em Benevides e outro em Santarém). Ao todo são 188 distribuidores de aves vivas. Todos esses números levaram a produção avícola paraense a ocupar o 11º lugar no ranking nacional no ano passado.

Em Santarém, o sistema de integração (indústria e avicultores) tem como integradora a Avispara, que atua na cidade desde 2004. A empresa integra o Grupo Frango Americano que está na atividade avícola há mais de 40 anos e possui ramificações nos estados do Pará, Maranhão e Tocantins.

Atualmente 47 integrados produzem para a Avispara, contemplando 54 galpões espalhados nos municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.

Na integração os avicultores entram com a parte de infraestrutura (água potável, espaço, energia elétrica) e também com a mão de obra e a integradora subsidia os insumos, ração, vacinas e medicamentos que serão utilizados pelos animais. O ciclo de produção começa a partir do alojamento dos pintinhos e dura cerca de 45 dias.

As aves fornecidas para os avicultores são criadas em Santarém, no núcleo de matrizes da Avispará, localizado na comunidade de Tabocal. Os pintinhos são vacinados ainda no incubatório e entregues com o sistema de vacinas em dia. Nos aviários a alimentação dos animais atende três fases, na inicial a ração é mais proteica e tem bastante soja, na posterior o alimento apresenta alto nível de proteínas sendo focado no crescimento do frango, na fase final a ração é mais energética e visa manter a estrutura da ave já formada. Em média após 45 dias, o animal está pronto para ir para o abate com dois quilos, setecentos e cinquenta gramas.

“A criação dentro de um aviário é super intensiva. Com oferta de ração em abundância, sem a necessidade de movimentação. As aves só tomam água, comem e descansam daí que ganhem peso num curto prazo em comparação com um frango padrão que chega num peso médio a partir do sexto mês. Os aviários possuem mecanismos de estímulo sonoro e físico que viabilizam a criação” explicou o avicultor Eduardo Momesso Delgado.

Nos primeiros dez dias os pintinhos precisam de aquecimento já que o aparelho termorregulador deles não é bem formado, manter o clima é fundamental, (sobretudo a noite quando as temperaturas caem) para que não haja mortalidade. Nessa etapa o espaço físico do aviário é restrito mantendo as aves mais próximas umas das outras, e é aumentado gradualmente conforme o crescimento das mesmas. Os frangos são monitorados semanalmente quanto ao consumo da ração (se estão consumindo quantidade suficiente) e o ganho de peso. Diariamente recolhe-se eventuais aves mortas e registra-se em planilha de controle. A partir desse período o aquecimento só é feito conforme a necessidade. Do 28º dia até o 45º é a fase da criação onde é necessário a manutenção da temperatura mais baixa com um controle maior da umidade do ar interna promovendo uma sensação térmica ideal para a ave que tem em média 1,800 kg chega até 3,000 Kg em duas semanas e meia.

A retirada das aves para o abate é feita respeitando-se os preceitos de bem-estar animal iniciando-se durante a noite período em que as aves estão mais calmas e a temperatura mais amena. Após essa ação inicia-se o período de vazio que dura em torno de dez dias, quando é feita a lavagem e a desinfecção dos equipamentos e todo o manejo da cama (queima das penas, quebra das placas, fermentação e detetização) para que essa seja reaproveitada pelo próximo lote.

O frango que sai dos 54 galpões em Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra são abatidos na Avispara e abastecem várias cidades no Oeste do Pará.

“Normalmente o abate ocorre de segunda a sexta-feira. Na primeira quinzena de novembro obtivemos aprovação para abater até 48.000 aves por dia em um turno de 8 horas de trabalho. A distribuição do frango é regional e abrange os municípios de Rurópolis, Uruará, Itaituba, Novo Progresso, Juruti e outras cidades mais próximas. Atualmente a empresa emprega cerca de 650 funcionários diretos.  Difícil estimar os indiretos, mas sabemos que o setor comercial agrega cerca de 60 colaboradores e os integrados devem incorporar mais umas 80 pessoas” afirmou Ednardo Neves, chefe da unidade da Avispara.

Investimentos

Maior integrado da Avispara com 3 aviários e uma capacidade de produção para 105 mil frangos por período, Eduardo Momesso Delgado, afirma que o desafios e investimentos para manter os espaços é grande. Um aviário com potencial para alojar 35 mil aves pode ter um custo de instalação de mais de 500 mil uma vez que irá demandar poço artesiano, energia de boa qualidade e ainda um grupo gerador já que as granjas não podem ficar sem energia. Mas para ele o maior entrave para a expansão da produção é a questão fundiária.

“É um problema porque impossibilita na hora de conseguir financiamento. No meu caso para expandir tive que aplicar recursos próprios. A outra parte a empresa que produz equipamentos facilitou a aquisição desses materiais parcelando vinculando o pagamento com a saída dos frangos, o que de certa forma viabilizou a instalação da granja. Hoje meu sistema é todo automatizado (controle de temperatura e distribuição de ração), fazendo-se necessário somente o monitoramento do seu funcionamento, o que me demanda somente dois funcionários. Outro entrave é a questão da energia elétrica que representa 25% dos custos de produção. Ainda que a avicultura na região ainda não tenha as melhores tecnologias é um setor que está crescendo” declarou Momesso.

 

 

Dannie Oliveira

  • Josué

    Perfeito, matéria muito boa e assunto muito interessante. Tenho interesse em fazer parte do Sistema de Integração. Abraços.